9 de abril de 2010

Famílias desabrigadas, e agora?


Por Gizele Martins
Fotos Gizele Martins

Mais de 50 famílias se encontram desabrigadas hoje no Morro do Borel, favela localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro. "Perdi tudo, tudo! Agora estou aqui com os meus filhos na escola, mas para onde iremos depois?", era o que dizia na tarde de hoje, dia 09, Gislaine Mileiva de Oliveira, de 27 anos, que perdeu a casa na madrugada da última segunda-feira, dia 05 de abril.

Confira fotos do Morro do Borel:

Gislaine, que morava com mais três filhos e a irmã, gestante de 9 meses, disse que foi aconselhada a sair de sua antiga casa por engenheiros da Prefeitura, pois a casa estava em área de risco. "Quando eles disseram isso, eu saí de lá. E, em novembro do ano passado, com o patrocíneo do PAC de 9 mil reais, e eu dei mais 1.600 reais, para completar o valor, comprei outra casa e me mudei, mas acabou desabando na tempestade de segunda.

Assim como Gislaine, sua mãe e diversos outros moradores passaram pelo mesmo dilema, deixaram suas casas antigas, compraram outra e acabaram sem elas. A preocpação agora, é para onde irão estas famílias. "A gente tem que ficar em lugares públicos até que as autoridades governamentais ponham a gente em um outro lugar para a morar. Eles não podem colocar a gente na rua. As aulas já vão começar na segunda, e para onde iremos? Ontem, representantes da subprefeitura vieram aqui e cadastraram todos os moradores. De acordo com eles, a Prefeitura vai pagar no valor de 250 reais para alugarmos uma casa, mas será apenas três meses. Vamos esperar!", disse Giamiliane Marcielle de Oliveira, de 24 anos, irmã de Gislaine.

Todos os moradores do morro estão sem luz, água e telefone. Mais de 300 casas estão ameaçadas de desabamento. Mas, muitos moradores ainda não saíram de lá. "Não tenho para onde ir, o que posso fazer?", dizia um senhor na varanda de sua casa.

As três mortes no Morro do Borel:

Ontem, dia 08 de abril, por volta das 15h, foi enterrada no Cemitério do Caju, a jovem Marcele Barbosa, de 20 anos, e as duas filhas, Ana Luiza Babosa, de 1 ano e 10 meses, e Ana Marcele Barbosa, de apenas 5 meses. "Lá moravam 6 pessoas, elas três não conseguiram sair. Até tentamos tirá-las quando o barraco delas caiu, mas logo depois vieram outros barracos e muita lama e pedra, e aí não deu mais", disse Antonio Carlos Donato, de 43 anos, tio de Marcele e um dos representantes da Associação de Moradores do Borel.

Confira o estado das casas e ruas depois do desabamento:




















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